Comissão tem 90 dias para propor regulamentação de trabalhadores de APPs em Natal

Comissão Formada pela Prefeitura de Natal

Um grupo de trabalho foi constituído pela Prefeitura de Natal, incorporando diversos representantes dos órgãos municipais, além de integrantes do Ministério do Trabalho e do Governo do Estado. O principal objetivo da comissão é abordar as questões que afetam motoristas e entregadores que utilizam aplicativos na cidade, além de discutir a regulamentação das atividades nesse setor.

A primeira reunião ocorreu no dia 3 de fevereiro, na sede da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU). Durante o encontro, os participantes dialogaram sobre pontos críticos relacionados à categoria, como as condições de trabalho, a mobilidade urbana e a proposta de criação de pontos de apoio dedicados a motoristas e entregadores. Esse projeto, que teve a vereadora Samanda Alves (PT) como autora, havia sido anteriormente aprovado pela Câmara Municipal em 2025, mas foi vetado pelo prefeito Paulinho Freire (União) em 22 de janeiro de 2026, que alegou haver “inconstitucionalidades formais e materiais” no texto.

Demandas dos Motoristas e Entregadores

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Aplicativos de Transportes do Rio Grande do Norte (Sintat/RN), Carlos Cavalcanti, ressaltou a importância da comissão e mencionou que a STTU estabeleceu um prazo de 90 dias para discutir e definir como a regulamentação municipal poderá ser adaptada às necessidades dos profissionais. O foco inicial será criar alternativas que promovam melhorias nas condições de mobilidade urbana para motoristas e entregadores que atuam no município.

regulamentação de trabalhadores de APPs

Durante a formação da comissão, a presença de representantes da Associação de Trabalhadores por Aplicativo de Moto e Bike (ATAMB-RN) também evidenciou o apoio da categoria a essa iniciativa, na esperança de que se estabeleçam normas que tragam mais segurança e dignidade ao trabalho realizado por esses profissionais.

Condições de Trabalho e Mobilidade Urbana

A discussão sobre a regulamentação abrange diversos pontos críticos que afetam diretamente a atuação dos motoristas e entregadores de aplicativos. Questões relativas à jornada de trabalho, remuneração justa e benefícios, como a adequação de espaços para descanso e higiene, foram elencadas como prioritárias. Essas condições precisam ser aprimoradas para garantir um ambiente laboral digno e que atenda às necessidades dos profissionais.

Além das condições de trabalho, a mobilidade urbana representa um desafio acrescido, uma vez que a cidade enfrenta problemas de infraestrutura e tráfego intenso, que podem comprometer a eficiência e segurança das operações realizadas por estes trabalhadores. Uma regulamentação que considere esses fatores será crucial para melhorar a experiência de quem trabalha com transporte por aplicativos.

Proposta de Pontos de Apoio para Trabalhadores

A ideia de criar pontos de apoio para motoristas e entregadores vem sendo discutida como uma solução prática para proporcionar melhores condições de trabalho. Esses espaços deveriam incluir instalações como banheiros, áreas de descanso, pontos de carregamento para celulares e zonas para realizar refeições. A implementação dessas características em locais estratégicos pode impactar diretamente a qualidade de vida dos profissionais, oferecendo suporte durante suas longas jornadas de trabalho.

A proposta original, vetada pelo prefeito, refletia a demanda concreta dos trabalhadores que, frequentemente, se veem obrigados a passar longos períodos nas ruas, enfrentando as intempéries sem a possibilidade de ter um local apropriado para se reabastecer e descansar.

Veto ao Projeto de Apoio aos Motoristas

O veto ao projeto de apoio levantou descontentamento entre os motoristas e entregadores, que protestaram em frente à Prefeitura de Natal. Esse episódio destacou a urgência da questão e a necessidade de um diálogo aberto e transparente entre a administração pública e a categoria. Muitos profissionais avaliam que a regulamentação é um passo necessário para a proteção e garantia de direitos, uma vez que a falta de regulação tem contribuído para a precarização das relações de trabalho.



Em momentos anteriores, a resistência à regulamentação desses trabalhos gerou um cenário de insegurança jurídica, deixando os trabalhadores vulneráveis a abusos e à falta de direitos básicos, como assistência em saúde e proteção social. As manifestações evidenciam a determinação dos trabalhadores em lutar por melhores condições e por um reconhecimento institucional de sua função social.

A Importância da Regulamentação para o Setor

A regulamentação do trabalho por aplicativos se faz necessária para combater a chamada “uberização”, que, na prática, tem levado a uma série de problemas, incluindo a ambigüidade nas relações trabalhistas, onde os direitos dos trabalhadores não são assegurados de maneira clara. Esse fenômeno gerou, na maior parte dos casos, a transferência dos custos e riscos associados à atividade para os próprios trabalhadores, sem que haja uma contrapartida das empresas.

As centrais sindicais, incluindo a CUT e outras instituições, defendem a regulamentação como uma forma de reverter essa situação. A formalização das relações de trabalho pode trazer uma série de benefícios, como o acesso a um piso salarial adequado, jornadas de trabalho definidas e a implementação de políticas que garantam proteção e quaisquer direitos sociais.

Desafios Enfrentados pelos Trabalhadores de APPs

Os trabalhadores de aplicativos enfrentam desafios diversos no seu dia a dia. As condições de insegurança, tanto em relação à saúde como ao cumprimento das normas de segurança pessoal, são extremamente prevalentes. A falta de estrutura adequada para desdobrar suas atividades e a ausência de suporte da administração pública levam a um cenário complicado e frequentemente insustentável.

Além disso, a pressão por desempenho e a competição intensa entre os motoristas e entregadores limitam as possibilidades de uma remuneração estável e justa. Essa realidade exige que a regulamentação não só aborde os aspectos legais, mas também considere modelos que garantam a renda e a proteção de todos que atuam nesse setor.

Protestos em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores

As manifestações e protestos realizados por motoristas e entregadores por aplicativo ao longo dos últimos meses destacam a necessidade de se ouvir as vozes dessa categoria que clama por melhores condições de trabalho. Esses atos demonstram a insatisfação generalizada com a ausência de um amparo legal que respeite e valorize o trabalho realizado por profissionais de aplicativos.

A mobilização da categoria constitui um passo significativo para a conquista de direitos fundamentais que são regularmente ignorados. Os protestos têm atraído a atenção não apenas da mídia, mas também de autoridades que precisam prestar atenção a essas reivindicações e garantir um diálogo contínuo.

Apoio das Centrais Sindicais à Regulamentação

A luta dos trabalhadores de aplicativos também conta com o suporte de centrais sindicais, que têm enfatizado a necessidade de regulamentar essa forma de trabalho em âmbito nacional. As centrais enxergam a regulamentação como uma resposta clara e efetiva às demandas emergentes do mercado, que cada dia mais integra novas categorias de trabalhadores.

Com altos índices de precarização e a falta de condições básicas de trabalho, o apoio institucional é vital para garantir que esses trabalhadores possam ter acesso às garantias necessárias. O fortalecimento da narrativa sobre a necessidade de proteção e regulamentação é constante e, por conseguinte, a atuação das centrais sindicais em favor dessa causa é fundamental.

Visão do Presidente sobre a Regulamentação do Trabalho

Em 2 de fevereiro de 2026, o presidente Lula se reportou ao Congresso Nacional reafirmando a urgência de regulamentar o trabalho por aplicativos e os desafios que surgirão em 2026. Em seu discurso, ressaltou a importância de aprovar medidas que não apenas regulamentem a categoria, mas que também busquem melhorias nas condições das novas profissões que têm emergido no mercado de trabalho brasileiro.

“É imprescindível que a regulação do trabalho por aplicativos ocorra com rapidez e eficácia, na busca por garantir que os trabalhadores não sejam desprotegidos diante das novas realidades que a economia digital impõe”, afirmou o presidente. Essa declaração ilustra um comprometimento com a proteção dos direitos dos trabalhadores, e realça a responsabilidade do Estado em garantir condições dignas para todos os profissionais que atuam no sistema de aplicativos.



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