Motivos do protesto em Natal
No dia 14 de abril de 2026, motoristas e entregadores que atuam via aplicativos realizaram um protesto significativo em Natal. A manifestação teve início nas proximidades da Arena das Dunas, com os participantes marchando até a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. O principal foco da insatisfação é o Projeto de Lei Complementar (PLP) que se encontra em discussão na Câmara dos Deputados e busca regulamentar os serviços prestados por motoristas e entregadores por meio de plataformas digitais.
A proposta, que aguarda votação, está gerando preocupações entre os profissionais do setor, que alegam que as alterações propostas não favorecem suas condições de trabalho, além de não assegurar garantias básicas para sua atuação.
O que diz o Projeto de Lei Complementar 152/2025
O PLP 152/2025, que está sendo analisado, visa estipular regras para o trabalho de motoristas e entregadores por aplicativos. Uma das principais definições é que esses trabalhadores serão considerados autônomos, ou seja, sem vínculo empregatício formal com as plataformas. O projeto sugere a implementação de um pagamento mínimo por entrega, estipulando R$ 8,50 para distâncias de até 3 km, ou R$ 14,74 por hora trabalhada, o que levanta discussões sobre a viabilidade econômica da proposta.

Além disso, a legislação propõe a possibilidade de suspensão cautelar de motoristas após a apresentação de queixas por parte de passageiros, o que poderia comprometer a estabilidade financeira e jurídica dos profissionais envolvidos.
Reações dos motoristas e entregadores
Os motoristas, como Gilvan Balada, expressaram sua preocupação em relação ao projeto. Balada enfatizou a falta de autonomia que a proposta conferiria à categoria, afirmando: “Com essa tarifação mínima de R$ 8,50, as condições de trabalho ficam ainda mais restritivas, não contemplando a realidade das distâncias percorridas e o tempo de serviço.”
Evandro Roque, presidente da Associação dos Motoristas por Apps do RN (Amapp/RN), também manifestou sua reprovação ao destacar que a proposta não garante ganhos justos e condições favoráveis para os motoristas, refletindo um descontentamento generalizado entre os profissionais da área.
Como o projeto impacta a categoria
As implicações do PLP 152/2025 são amplas e podem afetar não apenas os ganhos dos motoristas, mas também suas condições de trabalho em geral. A imposição de uma tarifa mínima desestimula a compensação proporcional ao trabalho realizado e ignora as realidades logísticas enfrentadas pelos motoristas diariamente.
A falta de garantias e o poder de suspensão das contas dos motoristas de forma cautelar diante de denúncias não comprovadas podem criar um clima de insegurança entre os profissionais, dificultando o exercício de suas funções de maneira adequada e gerando incertezas financeiras.
Alternativas propostas pelos motoristas
Frente ao descontentamento, os motoristas propõem a apreciação do Projeto de Lei 536/24, apresentado pelo deputado Daniel Agrobom (PL-GO). Este projeto foi construído com a participação da própria categoria, estabelecendo uma remuneração que deve considerar tanto a quilometragem percorrida quanto o tempo de espera, com fixações de R$ 1,80 por quilômetro e R$ 0,40 por minuto trabalhado.
Essa abordagem é vista como mais justa pelos motoristas, pois considera as variáveis reais do serviço prestado, permitindo uma remuneração que reflita de maneira mais precisa o esforço e os custos operacionais que eles enfrentam.
A mobilização nacional dos motoristas de app
O protesto em Natal foi parte de um movimento mais amplo que se estendeu pelo Brasil, com motoristas organizando paralisações e manifestações em várias cidades. Em São Paulo, por exemplo, motoristas realizaram uma carreata pela Zona Sul, enquanto que em Brasília, a paralisação gerou interdições em vias centrais, evidenciando a força da mobilização da classe.
Essas ações têm como objetivo principal chamar a atenção do governo e da sociedade para as questões enfrentadas pelos motoristas, buscando garantir direitos e melhores condições de trabalho.
Histórico das regulamentações do setor
A regulamentação dos trabalhos realizados por motoristas e entregadores de aplicativos passou por várias fases nos últimos anos. Desde a popularização desse modelo de economia compartilhada, o setor tem enfrentado desafios relacionados à valorização dos profissionais e à definição de suas condições de trabalho. O debate sobre a regulamentação teve início em várias esferas do governo, mas muitos motoristas sentem que as propostas discutidas não têm atendido às suas demandas de forma adequada.
O papel das plataformas digitais
As plataformas que conectam motoristas e usuários desempenham um papel crucial nesse cenário, mas apresentam um modelo de negócios que, muitas vezes, não contempla as necessidades dos profissionais que utilizam seus serviços. A dependência das plataformas para o trabalho pode se tornar um ponto vulnerável, especialmente na ausência de regulamentações que teçam uma rede de segurança para os trabalhadores.
Expectativas para o futuro da categoria
O futuro da categoria ainda é incerto, mas as mobilizações apontam para uma crescente insatisfação e necessidade de mudanças. Há um apelo por regulamentações que realmente representem os interesses dos motoristas e que ofereçam um equilíbrio mais justo entre os direitos dos trabalhadores e os interesses comerciais das plataformas. Os motoristas esperam que a pressão social e política possa levar a um diálogo efetivo e a soluções que beneficiem a todos os envolvidos.
Como os cidadãos podem apoiar os motoristas
A população em geral pode desempenhar um papel importante no apoio aos motoristas de aplicativo. Isso inclui:
- Conscientização: Informar-se sobre as condições de trabalho e os desafios enfrentados pelos motoristas.
- Solidariedade: Participar ou apoiar mobilizações, ajudando a amplificar a voz da categoria.
- Apoio ao consumo ético: Optar por plataformas que reconhecem e valorizam os direitos dos trabalhadores e buscam melhores condições de trabalho para eles.



